quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O que esperar das urnas de outubro? (republicado a pedidos).

A vida de qualquer povo considerado civilizado não pode prescindir de um ambiente onde seja possível, em plenitude, o exercício direto e indireto da democracia, em todos os seus ditames. Não existe a mínima possibilidade do desenvolvimento civilizatório se realizar sem que os fundamentos desse processo possam se solidificar através da participação do povo na construção da consciência social. Essa consciência é formada por um conjunto de condições objetivas que formam uma comunidade nacional, onde a mesma se reflete.
Haverá sempre modalidades de consciências opostas; umas interessadas na conservação do estado de coisas presente, outras, procurando derrogá-lo. Mas, tratando-se de um país em fase de intensificação do  processo de desenvolvimento econômico, como o Brasil de nossos dias de crise profunda, essa luta se reveste de maior intensidade.
Esclarecer  a questão da origem e das formas de consciência da realidade nacional não é matéria de dissertação acadêmica, mas diz respeito à nossa própria situação pessoal, pois temos de tomar partido em face das circunstâncias que nos envolvem. Logo, devemos concordar com um dos modos de pensar que já encontramos formulados por outrem ou criar para nós mesmos uma interpretação ante a quadratura que se nos apresenta, porque necessitamos ter consciência da teoria da consciência com que enfrentamos a realidade presente.
Ninguém desconhece a magnitude da crise brasileira, inclusive de consciência, porque a nação experimentou um período de governo com ínfimas características de popular, mas que desembarcou no salão dos passos populistas, onde os mecanismos de distribuição de renda se tornaram instrumentos de aparelhamento político-partidário do Estado brasileiro, sob o comando do PT e do PMDB que, por nunca terem ajustados os passos, começaram a derrapar no mesmo salão, sobrando para o PT a crucificação por meio do Impeachment, como chancela golpista, não contra o governo petista, mas uma ardilosa ação contra a Constituição e as instituições brasileiras.
O cenário de crise intensa não nos levará a viver uma quebra institucional a ponto e níveis de não podermos exercitar o  pátrio dever de votar para a escolha de comando da Presidência da República; eleição dos congressistas, governadores e parlamentares nos entes federativos. Mas, reconheça-se, haveremos de saudar a um grupo de escolhidos sem nenhum perfil essencialmente republicano, em razão do despenhadeiro de consciência política quase-zero a que fomos jogados nos últimos ciclos de governos eleitos democraticamente, todavia sem programas de consistência e consciência nacionais. Meros ajuntamentos de forças políticas de olhos no aparelhão estatal do Brasil. 
Então, as evidências minimamente lógicas, nos apontam um anoitecer do dia 07 de outubro, com o lacrear e a imediata abertura das urnas, como sendo um presságio a inaugurar um momento de imensas dificuldades no terreno político e econômico, pois, o perfil da maioria dos futuros governantes, sem erro de pensar, e dos parlamentares, em todas as esferas do país, será muito temerário e de pouco compromisso com a vida das maiorias excluídas, uma vez que, a representação da vontade popular manifestada por meio do voto, virá ornamentada com os sentimentos da consciência  de revolta, desprezo, descrédito, desconfiança e de criminalização da política, porque a cidadania está fragilizada e, com isso, poderá triunfar a faixa social da soberba, do ódio, dasdiscriminação racial e homofóbica, os escravocratas e financistas da República dos Fanfarrões.

Por Petrônio Alves
Advogado e Jornalista

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

GUSTAVO CASTAÑON: Como o PT entregou o país (as razões de Ciro Gomes)


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Por razões pessoais me ausentei do debate pós-eleitoral, mas é impossível não me pronunciar diante do artigo de Luís Nassif distorcendo a posição de dois amigos meus, Ciro Gomes e Mangabeira Unger. Digo isso logo no primeiro parágrafo para que não seja acusado de dissimular meu lado nessa história, como Nassif, que é membro da blogosfera construída pelo PT e ex-funcionário da TV Brasil.

Esses fatos não são deméritos, quem trabalha na imprensa (em qualquer uma de suas vertentes) tem lado, e tolo é quem pensa que não. Sou leitor de Nassif e o considero um arguto observador da cena nacional, e é exatamente por isso que não podia deixar sem resposta seu artigo que se alinha ao jogo de falsificação histórica do PT, querendo imputar a culpa por seu imenso desastre eleitoral nas costas de outro candidato, que foi traído, preterido, sabotado e atacado por esse partido não só agora, mas durante toda sua vida política.

Existe uma coisa em psicologia de grupos que se chama “pontuação na sequência de eventos”. A maioria dos conflitos entre duas ou mais pessoas acontece porque elas pontuam o evento inicial que deu origem ao conflito em momentos diferentes da história, levando às comuns acusações de que “foi você que começou”. Ora, até pelo poder que acumulou e exerceu nos últimos 16 anos, quem merece o título de iniciador dessa sequência de eventos é Lula e o PT.

Porque a história dessas eleições não começa quando, 48 horas antes do prazo final para registro de candidaturas, Lula ordena que Ciro vá se ajoelhar para ele em sua cela. Ela começa muito antes.

Poderíamos estabelecer o começo dessa história quando Lula escreve a “Carta aos Brasileiros”, carta que Ciro jamais escreveu para vencer, ou quando nomeia o ex-presidente do BankBoston para liderar o Banco Central do Brasil, dando-lhe na prática independência: independência dos interesses nacionais. Poderíamos começar quando Lula decide continuar o rentismo ou em qualquer um dos dias em que se jactou de ter liderado o governo onde “os banqueiros nunca lucraram tanto”. Poderíamos começar essa história quando Lula intervém no PSB para proibir a candidatura Ciro e nos descer pela goela Dilma, em 2010, ou quando a mesma comete o maior estelionato eleitoral da história, pressionada por Lula, e nomeia um representante dos banqueiros para aplicar um ajuste neoliberal em nossa economia em 2014. Ou ainda quando o PT compara o impeachment de Dilma com o golpe contra Jango, que perdeu o poder ao defender a taxação da remessa de lucros, o voto dos analfabetose a Reforma Agrária, as chamadas Reformas de Base.

Mas não. Vamos estabelecer o início dessa história na campanha eleitoral deste ano. Que não começa na manobra venal de Lula para colocar Ciro de joelhos, mas no lançamento das candidaturas de Lula e de Ciro, ainda em 2017. Sempre fui partidário da candidatura de Ciro e considero os governos do PT medíocres, servis e grandes oportunidades perdidas, como atestam o índice de crescimento médio do país – quase idêntico ao tucano – e a manutenção dos índices de desindustrialização e desigualdade. Apesar disso, considerava acertado o lançamento retórico da candidatura Lula e suas caravanas pelo país para se defender e recuperar seu capital político e eleitoral.

No entanto, qualquer agente político sério no Brasil sabe duas coisas. Primeiro, que viabilidade eleitoral não é viabilidade política, numa eleição não se deve somente construir uma maioria de votos, mas condições de exercer o poder. E Lula não tinha mais condições políticas de o exercer, uma vez que era vetado por todas as instituições e corporações da República, particularmente, o Judiciário. Que dirá o PT. Esse partido não só tinha a imagem imensamente comprometida com a manutenção do status quo (por bons motivos) e com a corrupção, mas também a reputação de hegemonista, arrogante, traiçoeiro e inconfiável disseminada pela quase totalidade da classe política. O campo progressista estava terrivelmente isolado e a reconstrução das condições da volta ao poder passava pela renúncia do PT à cabeça de chapa. Esse movimento poderia ser um recuo tático do partido se seu objetivo fosse de fato disputar o poder central e não a liderança da oposição ao governo Alckmin.

Em segundo lugar, todos sabiam que Lula não seria candidato, apesar das desavergonhadas tentativas da blogosfera petista de enganar a militância com esperanças mirabolantes. E Lula não seria candidato por causa da lei que ele próprio sancionou, refém do udenismo e da ingenuidade republicana do PT, que nunca sinalizou qualquer resistência efetiva às investidas do Poder Judiciário.

Assim como era obrigação política de Lula defender o legado do PT de sua satanização indevida, era obrigação política de Ciro apresentar e defender um novo projeto para o país, criticando todos os erros cometidos pelo PT na condução do governo. Se não o fizesse, seria visto pela Nação como um preposto do PT, inviabilizando a mudança e a superação da polarização petismo/anti-petismo que afundou, finalmente, o Brasil.

O PT e Lula têm motivos para cobrar politicamente de Ciro uma solidariedade maior com a perseguição judicial que Lula estava sofrendo. Mas, igualmente, subir num palanque com Lula contra o Judiciário seria abandonar toda perspectiva de fugir da lógica personalista que Lula queria impor – e impôs – às eleições, e sujeitar-se à uma condição de “puxadinho do PT”, condição que condenou as candidaturas de Boulos (que teve um terço da votação do PSOL em 2014) e de Manuela, que terminou a campanha como uma vice escondida pelo PT. Isso sem falar na delação de Palocci, nos outros seis processos e nas novas acusações contra Lula e toda a direção do PT, que Ciro e a torcida do Corinthians sabiam que viriam.

Para apoiar Ciro, Lula e o PT, como qualquer político e qualquer partido, tinham o direito de querer que ele se comprometesse a defender o legado petista, e se transformasse nas eleições no “campeão do lulismo”, uma espécie de Lancelot do Lula. Mas Lula não deveria ter se comportado como um político qualquer. Ele deveria ter se mirado no exemplo de Brizola e se comportado como um estadista, que pensa em seu povo e seu país antes que em seu jogo de poder pessoal. O apoio a Ciro sem a exigência dele se comprometer com a pauta política que foi rejeitada na eleição poderia ter mudado os rumos do campo progressista, do Brasil e do próprio PT.

Porque, como vimos, o país estava farto do PT. Mesmo nos melhores momentos de intenção de voto de Lula, o candidato apoiado por ele no segundo turno ostentava de 61% a 63% de rejeição no Datafolha. Os blogues petistas falsificavam o significado de perguntas como “Você votaria num candidato apoiado por Lula?” ou reproduziam as peças de propaganda da Vox Populi, enquanto tanto eles quanto a direita brasileira sabiam que o PT tinha força suficiente para colocar um candidato que não Lula no segundo turno, mas não para vencê-lo. A maioria do país ainda aceitava Lula, mas já não aceitava, em hipótese alguma, o PT.

Então Lula tinha diante de si duas alternativas decentes. Deixar Ciro construir um novo polo enquanto mantinha uma candidatura petista exclusivamente para defender seu legado, ou ser grande e apoiar Ciro desde o começo, permitindo que ele minimizasse o dano do apoio do PT e que pudesse fazer a crítica necessária ao período petista.

Mas não. Lula usou de todos os meios a seu dispor para sabotar a candidatura Ciro e direcionou todas as suas baterias políticas – inclusive a máquina de internet do PT – para seu desgaste pessoal, atuando em comum acordo com o PSDB para manter a polarização política tradicional entre os dois partidos.

Provavelmente por coincidência, no mesmo período assistimos a uma surpreendente absolvição de Gleisi num momento em que o PT só colecionava condenações, assim como uma mais surpreendente ainda libertação de Zé Dirceu, já condenado pela segunda vez e tendo perdido os direitos de progressão de pena. O que não foi nada surpreendente é que Dirceu tenha saído da Papuda diretamente para articular o isolamento de Ciro com o PSB e o PCdoB, papel que Gleisi já vinha se esforçando para desempenhar, mas com menor competência.

E assim o PT e Lula usaram todo o resto de seu poder eleitoral para esfacelar o PSB e dar seu tempo de TV para a direita, impedindo o fechamento com Ciro (às custas das destruições das candidaturas de Marília em Pernambuco e Lacerda em Minas, o que entregava o segundo Estado da federação ao PSDB, mas acabou o entregando ao Itaú), assim como levaram o parceiro de Lula, Valdemar da Costa Neto, a entrar na negociação com o Centrão e o levar para Alckmin. Ainda colocaram o PCdoB sob chantagem contra suas candidaturas no país inteiro, levando-o a péssima decisão de mais uma vez caminhar com o PT, o que o deixou sem conseguir vencer a cláusula de barreira.

Por fim, sabendo que a liderança do PT não tinha mais viabilidade política para governar, que sua candidatura era uma fraude, que ele estava preso e condenado, que não poderia fazer campanha, que o país queria um projeto alternativo ao do PT, que tinha sabotado de todas as formas a candidatura Ciro, que na condição de vice Ciro seria retirado da disputa e dos debates por tempo indeterminado, que ia submeter as eleições a um debate sobre ele, Lula ordena que Dilma convoque Ciro para se ajoelhar diante dele na carceragem de Curitiba.

É fácil hoje dizer que Ciro errou e que se tivesse se ajoelhado seria presidente. Mas o PT tem que se decidir por uma linha coerente no seu esforço de destruição da imagem de Ciro. Se Ciro só pensa em seu projeto pessoal porque não se ajoelhou para Lula? Ele coloca seu orgulho acima de seu projeto pessoal? Bem, do meu ponto de vista nem uma coisa nem outra, evidentemente. A decisão de Ciro naquele momento era dificílima e teve lógica política e como resultado imenso sacrifício pessoal e desprendimento em prol do Brasil. O que Ciro levou em consideração?

1) Ser vice de Lula seria abonar a fraude do PT e participar de um ardil com o povo brasileiro, porque Lula não era de fato candidato;

2) Seria se submeter simbolicamente a um preso condenado, o que inviabilizaria a autoridade moral de um eventual futuro presidente;
3) Havia ameaça de a justiça eleitoral impugnar não Lula, mas a própria candidatura do PT, como se lembram os observadores mais atentos. Neste caso, com toda a centro-esquerda no mesmo barco, a eleição estaria finalizada;

4) Ao se colocar na chapa do PT, Ciro perderia qualquer controle sobre a campanha e se comprometeria juridicamente com o que havia sido feito até então e com as formas de arrecadação e financiamento do partido, colocando seu destino político nas mãos de pessoas como Gleisi Hoffmann e Sérgio Gabrielli e podendo ficar, por consequência, inelegível por oito anos;

5) No caso de impugnação de Lula, a definição de Ciro como candidato da aliança estaria nas mãos do glorioso diretório nacional do PT, problema que poderia ser minimizado com um acordo público, mas jamais eliminado. Sabemos que poderiam utilizar qualquer declaração crítica de Ciro como desculpa para trair o acordo, e o histórico do PT não recomenda qualquer confiança. Como mostrarei aqui ,o objetivo do PT nunca foi ganhar a eleição, mas garantir seu papel de líder da oposição e eleger 50 deputados garantindo a sobrevivência do partido e sua máquina. Estrutura, gabinetes, fundo partidário, tempo de TV, fundo eleitoral: isso para a burocracia do PT está acima de tudo;

6) Ao se submeter à condição de vice-fake, não só seria impedido de participar dos debates enquanto a candidatura não fosse julgada – o que nesse caso poderia ter se arrastado até a última semana – como perderia a condição de ser visto como uma alternativa de poder, sem contar com o dano de imagem em se submeter ao PT depois de tudo o que o partido fez não só no governo, mas com ele próprio dias antes;

7) Aceitar a condição de vassalo de Lula o faria definitivamente refém da agenda lulista e do debate em torno de Lula e do PT, tirando-lhe as condições políticas, inclusive controle sobre seu próprio tempo de TV, para debater a questão nacional e apresentar projeto alternativo ao petismo;

Então Ciro decidiu enfrentar a máquina de Alckmin, de Bolsonaro e do PT e levar ao Brasil um discurso próprio, um projeto novo e uma alternativa para a esquerda e o país, mesmo sabendo que a eleição seria muito difícil. Mais uma vez, provou que seu desejo de ser presidente não está acima de tudo. Nunca o levou a se vender a FHC, ou à banca, ou a escrever Carta aos Brasileiros, ou a se ajoelhar a personalismos.

Foi esse desprendimento que não teve Haddad, ao contrário da interpretação de Nassif. Ele não fez como Wagner, que se recusou a ser candidato e pediu o apoio a Ciro no primeiro turno. Haddad se agarrou avidamente a oportunidade de ressuscitar sua carreira política.

E foi assim que o PT destruiu o país. Sabendo que não tinha condições políticas de exercer o poder, que levaria o país a outro golpe caso vencesse, sabendo que Haddad não venceria o segundo turno, que se vencesse não tomaria posse, que se tomasse não governaria e que se governasse entregaria o país em nome da esquerda ou seria derrubado, enfiou pela goela do Brasil sua tragédia e condenou nossa soberania e o futuro de milhões de crianças e jovens brasileiros para obrigar o país a debater a prisão de Lula e provar que seu poste tinha mais votos que Ciro no primeiro turno.

Para prová-lo, Lula escolheu o candidato mais inviável, um liberal paulista que, justamente ou não, foi considerado o prefeito mais impopular do país e perdeu de forma humilhante uma eleição menos de dois anos antes, sentado na cadeira, no primeiro turno em São Paulo onde o PT punha seu candidato no segundo turno desde 1992.

Concluindo as evidências de que o PT não pretendia de fato vencer, lembro ainda que o primeiro ato de Haddad no segundo turno foi visitar Lula na prisão, fato que enterrou qualquer possibilidade de disputa acirrada. Porque afinal não o faria? A missão já estava cumprida. Ou ainda lembro que enquanto uma militância ingênua se esgoelava e lutava desesperadamente às vésperas das eleições, Dirceu e Gleisi faziam declarações suicidas de indulto a Lula como primeiro ato de governo ou “tomada do poder”. Para eles, a eleição já estava ganha: Haddad tinha ressuscitado, o PT tinha conseguido se manter como maior partido de oposição e feito 50 gabinetes na Câmara, garantido bom fundo partidário e alguns governadores. O PT estava salvo. O Brasil, destruído.

A Nação em nenhum momento foi questão para o PT. Mais uma vez esse partido arrastou a esquerda para uma campanha vergonhosa e despolitizante, baseada num discurso reacionário de volta a um passado mítico que nunca existiu e do qual a maioria da população brasileira queria a superação, e num messianismo que no segundo turno teve que ser escondido. O símbolo da campanha de Haddad foi, sem dúvidas, ele se escondendo atrás da máscara de Lula.

E se escondendo atrás da máscara de Lula ele despolitizou o debate, batendo apenas na tecla do vitimismo, da saudade e das liberdades individuais, deixando Bolsonaro de cara para o gol com sua pauta moralista e também despolitizada. Porque eles fizeram isso? Ora, porque não tinham como defender a política econômica liberal do governo Dilma nem se apresentar como mudança verdadeira para a população. Ao contrário, escreveram nova “Carta aos Brasileiros” defendendo o ideário neoliberal.

Elegendo vergonhosamente Ciro, e não o fascismo, como seu adversário preferencial, o PT jogou todo o peso de sua máquina no Nordeste para lhe roubar aliados, tendo inclusive enfrentado denúncias até hoje não esclarecidas.

Enquanto Ciro chamava Bolsonaro para o debate e o acusava do alto dos carros de som, Haddad não pronunciava seu nome porque o PT acreditava, irresponsavelmente, que seria capaz de montar uma frente democrática em torno de si no segundo turno e perder por margem menor o enfrentando. O verdadeiro desastre para o tipo de partido que é o PT seria a eleição de Ciro contra ele. O partido segurou sua militância que se apavorava com Bolsonaro e queria combatê-lo e, enquanto Bolsonaro disparava nos trackings e se encaminhava para a vitória em primeiro turno, espalhava falsos “trackings do MDB” que mostravam que era Haddad que quase ultrapassava Bolsonaro, alimentando a polarização que nos destruiu. Disseminaram a ideia de que Bolsonaro era o candidato ideal para o segundo turno e que a missão central era destruir o centro político. Isso num momento de ascensão real do fascismo.

Na rede, onde atuei mais diretamente na campanha, a máquina do PT disseminava peças difamatórias contra Ciro até mesmo de seus blogues e jornalistas associados. Contra Bolsonaro, nada, até os últimos dez dias do segundo turno. Não tinham sequer algo pronto para entrar imediatamente após o primeiro turno.

Isso quer dizer o quê, que o PT queria perder para Bolsonaro? Não. O PT planejou perder para o PSDB para juntos enterrarem a lava-jato e se acomodar novamente em seu papel de oposição até o dia em que pudesse voltar. A aposta, no entanto, deu errado. Agora, Lula pagará pelo resto de sua vida na cadeia. Eu, realmente, lamento, e quem me conhece sabe que lamento. Por ele também, mas principalmente pelos milhões de crianças e jovens brasileiros que perderam seu futuro.

Ciro não deve ser mitificado, como o petismo faz com Lula e o bolsonarismo com Bolsonaro. Ele erra, tem defeitos e discordo de alguns erros táticos que cometeu. Por exemplo, discordo de ele não ter dado uma simples declaração de voto em Haddad, mesmo tendo liberado todo seu grupo político para apoiá-lo e votado nele. Discordo não porque isso tenha feito qualquer diferença nas eleições, mas simplesmente porque deu instrumento retórico para a falsificação histórica que hoje o PT tenta promover, mesmo com a transferência quase completa dos votos de Ciro para Haddad.

É incrível, incrível desonestidade um homem como Nassif dizer que as entrevistas de Mangabeira “esclarecem de vez as razões objetivas que levaram ao racha das esquerdas”. Quem teve o destino dessas eleições nas mãos foi Lula, em nenhum momento Ciro. O resultado dele se submeter a essa manobra brutal de Lula ainda é, hoje, totalmente imprevisível, com amplas possibilidades de desastre.

E o fato aqui é que Lula novamente brincou de Deus e se destruiu definitivamente. Sua propalada intuição política e genialidade que errou todas nos últimos quatro anos entregou o país à sanha estrangeira e à destruição de sua soberania, e o povo brasileiro ao massacre definitivo de seus direitos. E ele sabia que o risco era esse.

Então você, leitor, pode julgar depois de tudo isso que Ciro decidiu não ser vice de Lula por ser orgulhoso ou qualquer outro defeito pessoal. Mas eu acho que quem continua pensando isso depois desse quadro apresentado, baseado em fatos de domínio público, pode somente estar tão desacostumado a ver desapego e dignidade pessoal na política, que não consegue mais os reconhecer quando aparecem. Por isso Ciro pode até ser criticado como político e candidato, mas como pessoa mostrou mais uma vez na vida que é um homem honrado que não está disposto a qualquer coisa para ser presidente.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Algumas jogadas na Política (!)

Eleição majoritária interessante é aquela que  consagra o candidato, logo a partir da abertura da primeira urna. Poucas são as vezes  em que um quadro eleitoral mostra-se contrário ao perfil extraído após a quebra do lacre eletrônico das primeiras unas. Claro, a cada eleição, temos múltiplos cenários a nos permitirem outro sem número de análises conjunturais que podem nos levar a desenhos de aproximação do que possa vir como o possível resultado do pleito.

Em primeiro lugar, convém tirar a conclusão acerca do grupo de candidatos que se apresenta à assembleia em busca do sufrágio popular. Nessa primeira aferição saberemos quem pode ou não ser os mais prováveis "espoca-urnas". São de fácil identidade, porque não carregam uma história política de vitórias em processos eleitorais, portanto, não exercem significativa influência no jogo. Estão sempre por trás das espúrias e condenáveis práticas de "bucha de canhão", fazendo paralelos de politicalha, sempre em favor daqueles que disso cuidam. São os alcaguetes dos prostíbulos da velha política, podendo ser encontrados sempre nos ditos partidos de aluguel.

Feito esse o expurgo, encontramos os candidatos circunscritos nas legendas saudosistas de um outrora socialismo real. Esses têm, às vezes, bons propósitos e propostas, mas não chegam além dos espirros dessa política situada no campo do infantilismo e da catilinária desértica. Portanto, ficam aonde estão e sem saber para onde vão.

No front do grande dérbi eleitoral é que vamos identificar as forças que efetivamente estão na partida: com as divididas viris, lançamentos de primeira, amortecendo no peito e distribuindo as jogadas no rumo do melhor do jogo, que é a vitória político-eleitoral. E aqui, nessa linha de fundo, estão os que sabem como melhor girar a bola do poder. Uns já envergaram o jaquetão do poder, e jogaram. Outros, estão devidamente paramentados, jogando e apreendendo o jogo bruto que é desenvolvido na arte da política, onde a Alma, se for pequena, sucumbirá ou será um visível espectro.

Em política vale o jogo pelo poder. As forças que se colocam, com objetivos definidos, não hesitam em se apresentar como são: demagógicas, endinheiradas, mentirosas e, também, com as posturas do novo na política, e assim vão se construindo e se constituindo. Leva quem souber lidar com as ferramentas às mãos, utilizando-as como cajado para domar ou argumentos em busca de conquistar as consciências do eleitor.

Petrônio Alves
Advogado e Jornalista

domingo, 12 de agosto de 2018

O que esperar das urnas de outubro?

A vida de qualquer povo considerado civilizado não pode prescindir de um ambiente onde seja possível, em plenitude, o exercício direto e indireto da democracia, em todos os seus ditames. Não existe a mínima possibilidade do desenvolvimento civilizatório se realizar sem que os fundamentos desse processo possam se solidificar através da participação do povo na construção da consciência social. Essa consciência é formada por um conjunto de condições objetivas que formam uma comunidade nacional, onde a mesma se reflete.
Haverá sempre modalidades de consciências opostas; umas interessadas na conservação do estado de coisas presente, outras, procurando derrogá-lo. Mas, tratando-se de um país em fase de intensificação do  processo de desenvolvimento econômico, como o Brasil de nossos dias de crise profunda, essa luta se reveste de maior intensidade.
Esclarecer  a questão da origem e das formas de consciência da realidade nacional não é matéria de dissertação acadêmica, mas diz respeito à nossa própria situação pessoal, pois temos de tomar partido em face das circunstâncias que nos envolvem. Logo, devemos concordar com um dos modos de pensar que já encontramos formulados por outrem ou criar para nós mesmos uma interpretação ante a quadratura que se nos apresenta, porque necessitamos ter consciência da teoria da consciência com que enfrentamos a realidade presente.
Ninguém desconhece a magnitude da crise brasileira, inclusive de consciência, porque a nação experimentou um período de governo com ínfimas características de popular, mas que desembarcou no salão dos passos populistas, onde os mecanismos de distribuição de renda se tornaram instrumentos de aparelhamento político-partidário do Estado brasileiro, sob o comando do PT e do PMDB que, por nunca terem ajustados os passos, começaram a derrapar no mesmo salão, sobrando para o PT a crucificação por meio do Impeachment, como chancela golpista, não contra o governo petista, mas uma ardilosa ação contra a Constituição e as instituições brasileiras.
O cenário de crise intensa não nos levará a viver uma quebra institucional a ponto e níveis de não podermos exercitar o  pátrio dever de votar para a escolha de comando da Presidência da República; eleição dos congressistas, governadores e parlamentares nos entes federativos. Mas, reconheça-se, haveremos de saudar a um grupo de escolhidos sem nenhum perfil essencialmente republicano, em razão do despenhadeiro de consciência política quase-zero a que fomos jogados nos últimos ciclos de governos eleitos democraticamente, todavia sem programas de consistência e consciência nacionais. Meros ajuntamentos de forças políticas de olhos no aparelhão estatal do Brasil.
Então, as evidências minimamente lógicas, nos apontam um anoitecer do dia 07 de outubro, com o lacrear e a imediata abertura das urnas, como sendo um presságio a inaugurar um momento de imensas dificuldades no terreno político e econômico, pois, o perfil da maioria dos futuros governantes, sem erro de pensar, e dos parlamentares, em todas as esferas do país, será muito temerário e de pouco compromisso com a vida das maiorias excluídas, uma vez que, a representação da vontade popular manifestada por meio do voto, virá ornamentada com os sentimentos da consciência  de revolta, desprezo, descrédito, desconfiança e de criminalização da política, porque a cidadania está fragilizada e, com isso, poderá triunfar a faixa social da soberba, do ódio, dasdiscriminação racial e homofóbica, os escravocratas e financistas da República dos Fanfarrões.

Por Petrônio Alves
Advogado e Jornalista

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Os Leões deixarão a Onça beber água?

O Maranhão é terra fértil para todo tipo de produção artística, também na área política. Este é um ambiente extremamente sensível, que mexe com o mais escondido segredo dos indivíduos,  que pode se ancorar, finalmente, no resultado que as urnas apresentem para um novo duelo, agora, para além dos cancelos das tribunas do judiciário eleitoral, onde os tímpanos, quase sempre, também são sensíveis, portanto, atentos e ávidos aos ensaios auriculares, que poderão render, após  as tempestades das rinhas do embate pelo poder, uma sinecura bem vantajosa.

Nessa ambiência de fertilidade, o grande semear e a espera de uma colheita satisfatória resultam de quem melhor souber arar o terreno do jogo, com os truques que se iniciam na montagem do arco do apoio partidário que buscará o adubo popular através do voto , ciente da geopolítica estadual, onde se incluem os grupos políticos do interior do estado, porque, aqui, está a balança de uma futura safra vitoriosa que virá a se juntar ao quadrante eleitoral da Ilha, que tem um significativo peso decisório na perspectiva de chegar [ou manter] os Leões se mirando no Espelho D'água do Palácio.

É visível o início do jogo pelo poder estadual. O atual comando do estado, sob a liderança do governador Flávio Dino, conseguiu manter quase todo o establishment que o tornou chefe do executivo maranhense, ampliando o leque  de  apoio e de sustentação política com a costura e a atração de alguns segmentos que, embora com perfis do ancien regime, sentiram que, se voltassem a compor o mesmo alinhamento de outrora, comprometeriam a reeleição de seus quadros, uma vez que conhecida a maneira como se decidem, em nível macro, os feudos de poder pelo grupo do Sr. José Sarney, notadamente, se a sua filha é a governadora, pois, se torna a rainha que fica a vê o seu rei cuidando da governança, ao sabor da arrogância bem conhecida e perfumada com o aroma dos charutos de Havana.

Pelas plagas sarneysistas também não deixou de chover, portanto, terreno próprio para alavancar uma boa produção eleitoral. Os mais obedientes e dependentes desse grupo político não se afastaram da  sombra do soba. E os recalcitrantes, se não retornaram diretamente ao restante do suspirar e do calor do colo do chefe, mas estão em satélites auxiliares, cujo controle se encontra nas mãos do   ex-senador, razão pela qual sua mudança de domicílio eleitoral para o Maranhão e, daí, ter consigo o comando de ex governadores, três senadores e outros tantos que se viram frustrados ao se mirarem no Espelho D'água dos Leões, e não puderam beber como imaginavam.

Mesmo sem contar com o seu principal cajado, um mandato parlamentar, o Sr. José Sarney, neste aprofundado cenário de crise nacional, conseguiu manter-se como influente político de mais de 50 anos de frequência nesses mesmos subterrâneos, inclusive, se distanciando das garras da Lava Jato, puxando consigo a filha ex-governadora. Com isso, possibilitou a nomeação de seu filho caçula para o Ministério do Meio Ambiente, mais uma vez, e também ingerir em outras nomeações na esfera federal.

O plantio estadual dos sarneysistas tem potencial frutífero-eleitoral, e deve preocupar, sim, o governador Flávio Dino, mas não em nível de desespero, afinal, o atual governo conta com muito boa avaliação de desempenho em favor do povo. Mas o Sarney quer fazer a Onça beber a água dos Leões, e não se importa com que métodos terão que ser usados para essa finalidade. Logo, a roça do Maranhão sempre foi feudal.

Por Petrônio Alves 
Advogado e Jornalista

sábado, 30 de setembro de 2017

A corrida pela senatória no Maranhão: jogo duro e detalhes definem a eleição

As duas cobiçadas vagas para a representação majoritária de senador do Maranhão vem agitando as ambições dos pretendentes, desde a proclamação do resultado do último eleito como representante do Estado, o Senador Roberto Rocha. Este, todos sabemos, contou com a decisiva força eleitoral e influência política de Flávio Dino, então candidato ao governo estadual, pois, havia uma polarizada disputa com o candidato do outrora grupo governista, Gastão Vieira, que, não fosse a conjuntura local do momento, que indicava o forte interesse da população em alterar os rumos e o direcionamento políticos do Maranhão, com o candidato Flávio Dino sendo esse fio condutor dessa necessária alteração, portanto, influenciando também no outro segmento da eleição majoritária; o candidato sarneista seria o vitorioso.

O conjunto das possíveis candidaturas ainda não está totalmente formado. Mas os nomes de mais fácil visibilidade política já estão desenhando o começo do que será esse cenário eleitoral para a escolha dos futuros senadores do Maranhão, havendo pouca chance de aparecer aquilo que se denomina de fenômeno eleitoral, ou seja, uma candidatura que possa suplantar a força de nomes que já frequentam a ambiência da política no dia a dia.

Os senadores João Alberto e Edson Lobão, não querem assumir a postura de pretendentes, mas são candidatos, e vão costurando as articulações nesse rumo, com a digital do ex-senador Sarney, que igualmente vai tentando, no caladinho, se viabilizar no Estado do Amapá para outro mandato no Senado da República. 

Deputados Federais estão se colocando à assembleia dos pretendentes, como Weverton Rocha, Sarney Filho, José Reinaldo Tavares, Waldir Maranhão e Eliziane Gama.  Neste ensaio, certamente, poderá ocorrer desistências vountárias e também a saída forçada de alguns desses nomes colocados, por questões que integram o arco das sutilezas do jogo político, sobremodo, quando se trata de eleição majoritária, onde o jogo é duro e os detalhes são preponderantes para o desfecho do sucesso eleitoral.

Pesquisas dos institutos locais, em aferição acerca das pré-candidaturas existentes até agora, apontam exatamente o momento vivido e vivenciado pelo eleitor brasileiro: falta de credibilidade e desesperança na categoria dos políticos. Logo, o espaço maranhense, objeto das pesquisas para a senatória, também se posicionou seguindo a tragédia da descrença, e até mesmo da criminalização da política. Portanto, nenhum nome dos postulantes ao Senado apresentou uma performace singular que possa garantir-lhe a desejada eleição. Os percentuais apurados, seja qual for o instituto, indicam que o eleitorado ainda não tem candidato a senador.

Essa realidade nos remete a considerar, sim, a pouca chance de aparecer aquilo que se denomina de fenômeno eleitoral, todavia é algo muito difícil de ocorrer em plaga maranhense. As últimas experiências nesse laboratório indecifrável dos fenômenos (Haroldo Saboia e Bira do Pindaré), deixaram a marca consistente da força da máquina influenciando decisivamente na eleição para Senador do Maranhão, aliada ao tear do tecido de detalhes sutis que consagraram os candidatos do vetusto grupo político comandado pelo ex-Presidente e Senador José Sarney.

Para o atento em espetise na política maranhense, um interessante detalhe se faz perceber nas passadas que dá o deputado federal José Reinaldo Tavares. Desafeto do seu mentor e pai na política, mas muito amigo do deputado federal  Sarney Filho, Tavares tem se reaproximado de todos os amigos dos quais havia se distanciado e, com isso, até a ex-governadora Roseana Sarney já recebeu beijinhos de José Reinaldo.
  
Ao que se pode constatar, o deputado José Reinaldo Tavares não será um dos candidatos do governador Flávio Dino ao Senado. E, se isso se materializar, o já está com o pé na estrada, ombreado com Sarney Filho, pavimentando o caminho de uma campanha da dupla de velhos amigos.

Um, ex-ministro, ex-governador e deputado federal, portanto, conhecido em todo o estado, facilidade para uma campanha de senador. O outro, deputado federal uma vida. Logo, reúnem iguais vantagens numa caminhada eleitoral onde, ser conhecido do eleitor, antecipa pontos positivos em relação àqueles que, só agora, inflam seus balões de oxigênio que poderão, ou não, chegar a uma altura considerável nesse processo.
 

Algo, como tudo na arte política, que não deve ser desconsiderado, inclusive, os riscos que isso pode gerar para a reeleição do governador Flávio Dino. E, se reeleito, o perigo de ficar refém a partir da Tribuna do Senado, tendo que negociar com uma representação majoritária completamente distinta da sua orientação política. Lembremo-nos de que o Senador Roberto Rocha já é o primeiro dessa bancada indesejável ao governante que busca a sua reeleição.

Petrônio Alves
Advogado - OABMA 5346
Jornalista - 1639/MA

terça-feira, 12 de setembro de 2017

As muitas dúvidas das poucas certezas de um governo à deriva

É impressionante o volume dos acontecimentos no espaço público da política brasileira no atual cenário de constantes descobertas de focos de corrupção, por meio da Lava Jato, com a firme atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal nas ações investigativas, e da Justiça Federal fazendo com que os réus de todas as categorias sentem nos bancos das varas, com as prisões de criminosos ardilosos e malfeitores que marcaram pontos significativos na história recente do Brasil, como líderes políticos oriundos dos mais diversos segmentos sociais, com destaque para os setores sindicais de trabalhadores e empresariais. 

As gravações, até então desconhecidas, em que Joesley Batista faz colóquios comprometedores com seu parceiro de empresa, sugerindo um verdadeiro descalabro nas instituições brasileiras por conta de sua atuação como empresário forte que compra e vende bois, e por isso pensava que conduzia a boiada de Brasília sem a bitola da vigilância social, foram decisivas para se alterarem algumas pedras no tabuleiro do governo do Sr. Michel Temer, uma vez que contava com um ligeiro esfriamento na elevada temperatura de seu envolvimento e de membros do governo com o devastador fenômeno da corrupção incrustado na máquina pública e nas empresas de domínio estatal, porque conseguiu vencer a luta no Plenário da Câmara dos Deputados ao barrar a denúncia do MPF levada ao Supremo Tribunal Federal, e este a enviou ao Parlamento por exigência constitucional.

Essas gravações trouxeram mais agonia para os plantonista do poder central, porque o delator Joesley Batista diz possuir outras tantas que não foram objeto de negociação com o Ministério Público Federal, para que auferisse os benefícios previstos nesse instituto jurídico de discutível caráter moral. Mesmo nesse turvo ambiente, os aliados do governo tentam descaracterizar a legalidade das provas colhidas a partir das delações dos empresários do Grupo JBS, afirmando a inconsistência de uma futura denúncia. E assim vão salvando o Sr. Temer do cadafalso que se avizinha.

Não bastando esse Irma que circunda a vida do fragilizado governo brasileiro, eis que surge a figura do Gedel Vieira Lima, que até recentemente era Ministro do Sr. Michel Temer,  acondicionando em um apartamento, perto de sua residência em Salvador, uma quantia de dinheiro em valores acima de 51 milhões de reais, certamente que derivados de propinas  da corrupção, fato que vem aguçar ainda mais as dores de cabeça do dirigente mais impopular da história da nação.

Daí virem as muitas dúvidas das poucas certezas do que será o caminhar desse tresloucado governo até o seu final, cuja marca da ilegitimidade, e o selo do golpe do qual resultou, confirmam a sua pífia aceitação popular que se arrasta às margens do zero, junto à direita desqualificada, que deseja transformar o país no laboratório das maldades contra os desprovidos de organização para o enfrentamento direto com essas frentes preconceituosas.

Petrônio Alves
Advogado OABMA 5346
Jornalista - Registro 1639/MA.

O que esperar das urnas de outubro? (republicado a pedidos).

A vida de qualquer povo considerado civilizado não pode prescindir de um ambiente onde seja possível, em plenitude, o exercício direto ...