domingo, 23 de julho de 2017

O Maranhão precisa de grupos políticos que pensem o futuro das gerações vindouras

Temos refletido muito sobre o nosso estado, sua gente, sua economia; o meio ambiente desse imenso pedaço de terra nacional; sobre a miséria que ainda está vivendo junto com uma grande faixa de nossa população, enfim, buscamos olhar um pouco além da ponta do nariz e do próprio umbigo, tentando compreender, quando possível, que há um destino e um futuro para os quais deve o Estado dirigir sua atenção, uma vez que o que vem, sucessivamente, são as gerações e, com elas, os problemas e os sonhos de encontrar um espaço público que lhes possibilitem viver com dignidade e construir uma vida de ser humano em todas as suas dimensões. 
Pensamos que neste atual ambiente de criminalização da Política, em razão da quadratura de corrupção que envolve uma considerável parcela dos agentes políticos representantes do povo, quer no executivo, legislativo e [ou] no judiciário, é cada vez mais difícil convencer a população de que sem a ciência da política, como leitmotiv da vida nacional, e nos estados componentes da federação, não chegaremos a nenhum lugar seguro e socialmente digno, pois, a política é o único espaço público de servir à sociedade como um todo.

Sempre será pela estrada longa e pedregosa da política que haveremos de ir errando e acertando os nossos passos e caminhos no rumo da construção permanente da cidadania ativa e propositiva. É pela política que encontraremos o partido, o candidato, o representante e os resultados dessa atividade cidadã, que deverão ser vistos na atuação desses agentes nos referidos espaços dos Poderes da Nação, refletida nas boas leis, nas políticas públicas estruturantes direcionadas  à população, e na aplicação das normas aos casos concretos, como forma de tornar cada dia mais evidente de que estamos em um Estado em que vigora o princípio da legalidade, sendo a Lei um instrumento abstrato e impessoal de regulação da vida social, e não uma rede de teia de aranha que corrompe o Direito de outrem ao sabor e interesses de seus eventuais aplicadores.

O Maranhão é um estado muito complicado, quando se trata da atividade política que, enquanto arte do exercício do poder, visa o Bem da coletividade. Seriam inumeráveis exemplos, a realçarem este ensaio, a demonstrarem a 'miopia política' de muitos daqueles que, circunstancialmente, se encontrem no comando do estado. Mas, é forçoso, vamos ficar apenas num olhar objetivo das necessidades de se questionar a categoria dos atuais políticos estaduais, e defender o surgimento de novos grupos na política do estado. Convocar essa imensidão de excluídos da vida econômica, social e política do estado para assumirem o seu papel de vetores de uma vida melhor e justa a que todos têm direito.

De um lado, o vetusto grupo que tocou o estado por um grande período de tempo. Esse agrupamento político conseguiu governar, sempre bem unido, em razão dos interesses desenhados como metas de domínio, salvo as defecções próprias do processo político. E, por essa razão, a maioria dos governadores, no lastro temporal de 50 anos, foi chancelada pela digital do Sr. José Sarney.

O que resultou de todo esse percurso administrativo [sarneismo], é e será objeto de análise e julgamento por um grande período da história dos maranhenses. É claro que, em se tratando do imediatismo que também integra a política, cada um tem o seu ponto de vista. Mas, o verdadeiro veredicto final, só ocorrerá num confronto real do que os grupos políticos do Maranhão ofereceram ao seu povo em forma de desenvolvimento e de oportunidades de vida, relevando-se nesse contexto o melhor conjunto de políticas públicas estruturantes inclusivas, em face daquelas meramente compensatórias, e que se dirigiram a atender tão somente a momentos de interesses efêmeros e circunstanciais. 

Noutro plano, a partir da vitória de Jackson Lago em 2006 [e cassado em 2009], vem aquelas forças sociais, nem sempre unidas, mas que caminharam por muito tempo aglutinando mobilização e musculatura políticas, resultando na eleição do atual governador Sr. Flávio Dino, que retirou do comando do estado a velha estrutura de domínio até então dirigente.

Sem avaliar muito especificamente esses dois anos e meses da gestão em curso, percebe-se avanços em setores estratégicos do estado. Anote-se, tudo isso num cenário de profunda crise nacional, muito diferente de certos períodos vivenciados pelos momentos do sarneismo no comando estadual, inclusive, quando o chefe galgou à Presidência da República.

O atual governo, contando com o apoio do poder legislativo, fez os ajustes necessários na administração, e deu início ao processo de nova política à gestão: investimentos significativos nas áreas da segurança (mais polícia nas ruas, prisões e o desvendar de crimes com agilidade); educação (valorização profissional e salarial dos professores); na saúde (novos hospitais equipados, seletivos de profissionais de várias carreiras...); na infraestrutura (estradas pavimentadas, drenagens profundas em vias das grandes cidades, construção e recuperação de acessos vicinais); na indústria (incentivos aos investimentos, atração de grandes projetos), agricultura (fortalecimento de cadeias produtivas que garantem o homem no campo); geração de trabalho e renda (qualificação profissional, intermediação de mão de obra, aproveitamento da juventude na aprendizagem profissional, dentre tantas outras ações nas  esferas que compõem a estrutura estatal. E muito mais coisas estão sendo encaminhadas pelo executivo. Portanto, um governo que se mostra para a população, e tem recebido índices elevados de avaliação positiva e de apoio popular nas mais diversas áreas de atuação administrativa.

Mas, o centro de nossa preocupação, daquilo se quer  aqui defender reside, como afirmamos, no futuro e no destino que o estado tem a obrigação de preparar e reservar às gerações que cuidarão da vida e a continuação permanente do Maranhão e dos maranhenses. Por isso, o digladiar dos atuais grupos de comando estadual, com vistas à hegemonia política do Maranhão lança um desafio a todos nós que também queremos o Bem da coletividade maranhense: olharmos um pouco além da ponta dos nossos narizes e do nosso próprio umbigo, incentivando a participação política da juventude, dos trabalhadores, dos lavradores, das mulheres, donas de casa, empresários, intelectuais, setores independentes, de todos os maranhenses livres das refregas paroquiais e dos guetos, criando-se uma diversidade de grupos de atuação política [em partidos políticos ou não] como sendo o exercício da ciência da emancipação e da construção de uma cidadania comprometida com o coletivo social e o pleno respeito aos interesses públicos, valorizando-se a hegemonia social em contrariedade ao domínio de grupos políticos infinitamente menores do que a participação popular. 

Não estamos propondo nenhum surrealismo político, afinal, a política é uma arte e, por isso mesmo, a libertação de todas as preocupações racionais, morais ou estéticas, valorizando a criação artística radicada nos automatismos psíquicos, na espontaneidade, no instinto, no subconsciente e no sonho, não é a nossa proposta fundamental. Todo esse arranjo faz parte dessa pavimentação da estrada política, através da organização e da participação direta da cidadania que se preocupa com o Brasil e com o Maranhão.
  
 Por Petrônio Alves
 Advogado - OABMA 5346
 Jornalista - 1639/MA

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