
Nessa ambiência de fertilidade, o grande semear e a espera de uma colheita satisfatória resultam de quem melhor souber arar o terreno do jogo, com os truques que se iniciam na montagem do arco do apoio partidário que buscará o adubo popular através do voto , ciente da geopolítica estadual, onde se incluem os grupos políticos do interior do estado, porque, aqui, está a balança de uma futura safra vitoriosa que virá a se juntar ao quadrante eleitoral da Ilha, que tem um significativo peso decisório na perspectiva de chegar [ou manter] os Leões se mirando no Espelho D'água do Palácio.
É visível o início do jogo pelo poder estadual. O atual comando do estado, sob a liderança do governador Flávio Dino, conseguiu manter quase todo o establishment que o tornou chefe do executivo maranhense, ampliando o leque de apoio e de sustentação política com a costura e a atração de alguns segmentos que, embora com perfis do ancien regime, sentiram que, se voltassem a compor o mesmo alinhamento de outrora, comprometeriam a reeleição de seus quadros, uma vez que conhecida a maneira como se decidem, em nível macro, os feudos de poder pelo grupo do Sr. José Sarney, notadamente, se a sua filha é a governadora, pois, se torna a rainha que fica a vê o seu rei cuidando da governança, ao sabor da arrogância bem conhecida e perfumada com o aroma dos charutos de Havana.
Pelas plagas sarneysistas também não deixou de chover, portanto, terreno próprio para alavancar uma boa produção eleitoral. Os mais obedientes e dependentes desse grupo político não se afastaram da sombra do soba. E os recalcitrantes, se não retornaram diretamente ao restante do suspirar e do calor do colo do chefe, mas estão em satélites auxiliares, cujo controle se encontra nas mãos do ex-senador, razão pela qual sua mudança de domicílio eleitoral para o Maranhão e, daí, ter consigo o comando de ex governadores, três senadores e outros tantos que se viram frustrados ao se mirarem no Espelho D'água dos Leões, e não puderam beber como imaginavam.
Mesmo sem contar com o seu principal cajado, um mandato parlamentar, o Sr. José Sarney, neste aprofundado cenário de crise nacional, conseguiu manter-se como influente político de mais de 50 anos de frequência nesses mesmos subterrâneos, inclusive, se distanciando das garras da Lava Jato, puxando consigo a filha ex-governadora. Com isso, possibilitou a nomeação de seu filho caçula para o Ministério do Meio Ambiente, mais uma vez, e também ingerir em outras nomeações na esfera federal.
O plantio estadual dos sarneysistas tem potencial frutífero-eleitoral, e deve preocupar, sim, o governador Flávio Dino, mas não em nível de desespero, afinal, o atual governo conta com muito boa avaliação de desempenho em favor do povo. Mas o Sarney quer fazer a Onça beber a água dos Leões, e não se importa com que métodos terão que ser usados para essa finalidade. Logo, a roça do Maranhão sempre foi feudal.
Por Petrônio Alves
Advogado e Jornalista